Na primavera das cores

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Janela do tempo, Eric Jhon (2020)

Na primavera das cores, dos cheiros, dos coros e gorjeios na sinfonia animalesca das aves... estas voavam e voavam sobre a cena pitoresca do pôr-do-sol.

O toque aromático dos perfumes floridos que se espiralavam por toda parte como que numa dança inebriante, acariciava as juras melodiosas de amor que os casais abancados na praça trocavam entre si.

Na rua principal, havia um pequeno e velho sobrado, triste, triste... imergido numa grave melancolia saudosista, quase fatal.

Dentro, morava um soldado, um veterano de guerra, um velho solitário...

Na primavera das cores, dos cheiros, dos coros e gorjeios na sinfonia animalesca das aves... o frio invernal levara embora sua doce rosa.

O burburinho cromático dos amantes apaixonados invadia o sobrado e tocava a melancolia saudosista de seus aposentos como a aragem fria de outono que desnuda os galhos da mais frondosa árvore, e o velho soldado trancafiava-se em seu quarto...

Aqueles finais de tarde primaveris carregavam a expansibilidade suavíssima dos romances e recordavam-lhe as doces memórias de outrora, de quando o velho soldado afagava sua doce rosa.

E quando à dor da saudade se acostumava, o velho soldado sentava-se taciturno, solitário — exceto pelo retrato cinza de sua amada que ele sacava do bolso — e da sacada da janela de seu quarto observava os casais entre os quais um dia ele também estivera.

Na primavera das cores, dos cheiros, dos coros e gorjeios na sinfonia animalesca das aves...

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Escrever é, antes de tudo, o abstracionismo dos pensamentos, das alegrias, dos lamentos e todos os sentimentos que transpassam a alma humana. É o transbordar filosófico e poético dos mares do pensamento.

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