Ladrão arrependido

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Christ and the Good Thief (1566), Titian

Ajuda-me a me encontrar em ti, porque, em mim, estou perdido sem saber me achar, sem saber andar pelas tenebrosas e sórdidas vielas de meu enganoso coração, pois, por ora, me roubei de ti.

Quem sou eu, afinal, quando tudo me pertence — meu eu? meu ser?

Se o eu é meu, então não posso sê-lo, pois não posso ser o que a mim mesmo me pertence, pois tudo que pertence, deve pertencer a alguém maior e mais completo que a si mesmo para só então poder ser quem é.

Pertencendo-me, me encontro subjugado pelo pesado jugo de não ser quem sou, pois perco a plenitude do ser que só tenho quando a ti pertenço, e descubro que assim não sou quem realmente sou.

Quando, porém, pertenço a ti, acho-me livre para me encontrar comigo mesmo, para me achar e descobrir que, na verdade, nunca me pertenci, pois, comprado fui por ti por alto preço e quando me tenho estou roubando-me de ti.

Ainda há lugar à tua mesa para um pobre ladrão arrependido, encontrado perdido pelos caminhos escusos de seu próprio coração?

Ajuda-me a me encontrar em ti, porque, em mim, estou perdido sem saber me achar, sem saber andar pelas tenebrosas e sórdidas vielas de meu enganoso coração, pois, por ora, me roubei de ti.

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Escrever é, antes de tudo, o abstracionismo dos pensamentos, das alegrias, dos lamentos e todos os sentimentos que transpassam a alma humana. É o transbordar filosófico e poético dos mares do pensamento.

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