Resenha: A Casa de Pequenos Cubinhos (La Maison en Petits Cubes) (2008)

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Casa de Pequenos Cubos trata da história de um velho viúvo e solitário que mora em uma cidade que foi inundada e continua a submergir na água, cujo nível não para de subir, obrigando os moradores da cidade — ou pelo menos os que decidiram continuar a vida ali — a construírem sempre um andar a mais e mudarem-se para lá, deixando, contudo, um alçapão em cada andar que servia para pescar.

REVIVENDO AS MEMÓRIAS CONSTRUIDAS

Kusakabe, M., Shin, Y. (Produtores), & Kato, K. (Diretor). (2008). A Casa de Pequenos Cubinhos (La Maison en Petits Cubes) [Filme Cinematográfico]. Japão. Acesso em 30 de Maio de 2017, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=9KM7TrJ2CHw

Kunio Kato é um animador e diretor japonês nascido em 24 de abril de 1977 e conhecido pela produção do curta-matragem A Casa de Pequenos Cubos (La Maison en Petits Cubes), lançado em 2008 e que recebeu o Oscar de melhor filme da categoria no ano seguinte.

A Casa de Pequenos Cubos trata da história de um velho viúvo e solitário que mora em uma cidade que foi inundada e continua a submergir na água, cujo nível não para de subir, obrigando os moradores da cidade — ou pelo menos os que decidiram continuar a vida ali — a construírem sempre um andar a mais e mudarem-se para lá, deixando, contudo, um alçapão em cada andar que servia para pescar.

Em certo dia, ao acordar, o velho depara-se com a água nos tornozelos, como acontecia de tempos em tempos, e decide comprar tijolos e cimento para construir, não importando as condições do clima — se chuva, se sol, se ventania —, um andar a mais em sua casa, a qual ele começou a erigir com a ajuda de sua falecida esposa enquanto na cidade ainda se podia caminhar sobre a grama verde.

Após o término da construção do novo andar de sua casa, o velho volta ao nível recém inundado e começa a mudança com a ajuda de um pequeno barquinho a remo. Porém, ao erguer um dos seus móveis o seu cachimbo caí na água e, através do alçapão, submerge um nível a baixo. Não contente em perder o seu cachimbo preferido, o velho compra um escafandro e mergulha em busca do seu inseparável companheiro e então começa a reviver suas memórias.

A partir daí ele decide voltar no passado — alçapão por alçapão — através dos andares de sua casa que um dia tiveram vida, mas que ainda guardavam lembranças maravilhosas vividas com a sua esposa e com a sua única filha.

Ao chegar no térreo o velho abre a porta e saindo da casa ele observa tudo o que ele construiu ao logo de sua vida e, olhando em volta, ele percebe que foi uma das únicas pessoas daquela cidade que chegou tão longe sem precisar abandonar as suas raízes, uma vez que as casas vizinhas não possuíam tantos andares quanto a sua.

Agora nostálgico, ele retorna ao andar da sua casa recém construído, põe à mesa duas taças de vinho e, sozinho, ele brinda, terminando, assim o filme, que na minha opinião é um dos melhores curtas-metragens que eu já assisti, pois nos faz refletir sobre nossas memórias que são construídas dia após dia, com pequenos cubinhos cujo valor muitas vezes nos passam desapercebidos.

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