Velho pescador

segunda-feira, 10 de abril de 2017


Por entre as copas das árvores na rua de paralelepípedos, uivam os ventos outonais, balançando as ramagens, derrubando a folhagem cuja primavera, outrora verdejante, esvaziou-se com os anos, noticiando o inverno que se aproxima.

À sombra da árvore plantada no canteiro da calçada de casa, fica sentado, às tardes, sobre o acolchoado assento de sua antiga cadeira de carvalho, a figura de um velho pescador cujas cãs denotam seus anos.

Com sua listrada camisa desabotoada de cores neutras e desbotadas, relaxadamente ele exibe, debruçada sobre as coxas, a saliente barriga sobre a qual repousam encarapitadas as enrugadas e calejadas mãos que seguram a agulha e o malheiro enquanto cose, ensimesmado entre o vai e vem dos pedestres, sua perolada tarrafa pendurada nas farpas dos galhos baixos do pé-de-pau.

O olhar cansado, quase escondido por baixo das rugas do rosto, já exibe notório o final do outono que brevemente o entregará ao gélido frio do inverno.

Por entre as copas das árvores na rua de paralelepípedos, uivam os ventos outonais, balançando as ramagens, derrubando a folhagem cuja primavera, outrora verdejante, esvaziou-se com os anos, noticiando o inverno que se aproxima.

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