Pueril ignorância
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Em minha pueril ignorância, ainda no abril de minha vida, ignorei a insipiência de meu espírito meninil por julgar-me apressadamente douto e rejeitei o conselho de quem todo o conhecimento detinha.
Dos passos iniciais de quem aprende a gatinhar, brotou em mim o orgulho e uma pretensa vontade de ensinar quem mais avançado que eu estava em seus caminhos, e a avidez me cegou para não ver que aquela vereda não era própria para um infante, ainda iniciante, tal qual eu.
A hipócrita euforia, filha de minha ufania, vociferava, bradava, batia dentro de mim para que eu ensinasse a se levantar a quem já sabia caminhar — ainda que vacilante por caminhos errantes. Sem titubeios, assenti. Outorguei à minha jactância o direito à verdade.
Entaramelando palavras a quem eu julgava meu discípulo, conheci que na verdade digno era eu de ensino. Fui humilhado e, vexado, enxerguei minha ignorância desnuda como a nudez de um pedinte cujos andrajos foram rasgados de seu corpo à luz do meio-dia.
Desejei o conhecimento antes ignorado e voltei aos braços de quem tudo sabia.
Em minha pueril ignorância, ainda no abril de minha vida, ignorei a insipiência de meu espírito meninil por julgar-me apressadamente douto e rejeitei o conselho de quem todo o conhecimento detinha.
Reescrito em 13/12/2019


2 comentários
NEM SEMPRE....DEPOSITAMOS TANTA CONFIANÇA E NO FINAL PERCEBE-SSE QUE FOI TUDO EM VÃO...
ResponderExcluir" "“" Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu ( Ec. 3.1 ) """
ResponderExcluirEscrever é, antes de tudo, o abstracionismo dos pensamentos, das alegrias, dos lamentos e todos os sentimentos que transpassam a alma humana. É o transbordar filosófico e poético dos mares do pensamento.
Debruce os sentimentos de sua alma sobre este espaço, caro leitor.